Estrogen affects cells in the eye's retina, which may help explain a possible link between glaucoma and estrogen levels.

Glaucoma – critérios de diagnóstico e tratamento

Glaucoma

 

Muito bem! Este é o último artigo dessa [highlight] série de introdução ao glaucoma.[/highlight]

Nessa breve caminhada, aprendemos alguns conceitos fundamentais que com certeza te ajudaram a entender melhor essa doença, suas formas e apresentações. Vimos até agora:

 

1) Como é o olho humano e identificamos suas principais estruturas. Esse aprendizado foi muito importante para entendermos o que é o [highlight]famoso nervo óptico[/highlight], estrutura de extrema importância no diagnóstico do glaucoma. Se você perdeu, veja esse artigo aqui: manual de anatomia do olho humano.

olho humano anatomia visão

 

2) Logo depois, introduzimos o assunto do glaucoma. Aprendemos [highlight]o que é o glaucoma[/highlight], de forma mais ampla, e entendemos o que acontece de forma geral na doença. Se você não leu, veja aqui: tutorial completo sobre glaucoma para pacientes.

nervo óptico glaucoma

 

3) Logo depois, vimos que o glaucoma é uma [highlight]doença com várias faces e que pode ter alguns subtipos.[/highlight] Aprendemos sobre os principais tipos de glaucoma e os fatores envolvidos com a presença de cada um deles. Você pode ler esse artigo aqui: diagnóstico e classificações do glaucoma.

glaucoma ângulo aberto fechado

 

4) No artigo anterior, vimos quais os [highlight]principais fatores de risco[/highlight] para o desenvolvimento do glaucoma e quando devemos ficar mais atentos para o seu aparecimento. Se você ainda não leu, veja ele aqui: principais fatores de risco para o desenvolvimento do glaucoma.

glaucoma diagnóstico tratamento

 

5) Hoje, no nosso último artigo dessa série inicial sobre glaucoma, vamos entender melhor quais os [highlight]critérios que o oftalmologista leva em consideração para decidir entre tratar ou não um paciente com glaucoma ou com suspeita da doença.[/highlight] Ainda, vamos entender de forma resumida como é feito o [highlight]tratamento[/highlight] da doença. Mais pra frente, em outros artigos, veremos com mais detalhes as diferenças entre os tipos de tratamento e as indicações de cada um, mas por enquanto, esse não é o nosso objetivo. Vamos lá?

 

Glaucoma – critérios diagnósticos

diagnóstico glaucoma

[pullquote] Meu nome é Raphael Trotta, sou médico oftalmologista, e resolvi escrever essa página para servir de fonte de consulta para os pacientes que acabaram de ouvir sobre o assunto e estão cheios de dúvidas sobre esse problema. Se persistirem questionamentos, agende uma consulta com seu oftalmologista e esclareça todas as suas dúvidas sobre o assunto! [/pullquote]

Dando seguimento ao que aprendemos até aqui, hoje o nosso assunto é bem mais técnico.

O oftalmologista, quando diante de seu paciente, realiza uma série de exames bem rápidos que vão lhe munir de informações para [highlight]decidir se aquele caso é suspeito ou não de glaucoma.[/highlight]

Para essa avaliação, o oftalmologista leva em consideração todos esses dados:

 

 

1) Dados da [highlight]história do paciente[/highlight] – a chamada “anamnese”. Aqui, ele leva em consideração os sintomas, a história familiar da presença de doenças e outros fatores.

2) Medida da [highlight]acuidade visual[/highlight] do paciente, com e sem correção por lentes de óculos, quando necessário

3) Exame sumário das [highlight]pupilas[/highlight]

4) Avaliação da parte da [highlight]frente do olho[/highlight] (se você não se lembra do segmento anterior, leia aqui), à procura de condições que possam elevar a [highlight]pressão ocular[/highlight] (um ângulo estreito, por exemplo. Não se lembra o que é isso? Leia aqui).

5) Verificação da [highlight]pressão intraocular[/highlight] por métodos variados e de acordo com as condições locais e pessoais de cada paciente (tonometria bidigital, por aplanação, sopro…)

6) Avaliação do [highlight]nervo óptico e das fibras nervosas que saem da retina,[/highlight] através do exame de fundo de olho e análise de retina.

 

Esse exame não é demorado e é de extrema importância para [highlight]estratificação de riscos desses pacientes.[/highlight]

Quando o oftalmologista realiza esses exames, ele está avaliando as seguintes estruturas:

diagnóstico glaucoma

 

1) formato e tamanho do [highlight]disco óptico[/highlight]

2) tamanho e forma da [highlight]escavação[/highlight] do nervo óptico

3) área e configuração do [highlight]anel neural[/highlight] ou rima neurorretiniana

4) alterações da [highlight]região em torno do nervo óptico[/highlight]

5) alterações dos [highlight]vasos sanguíneos[/highlight] do nervo óptico

6) alterações de [highlight]filtragem[/highlight] do líquido do interior do olho

7) condições que possam elevar a [highlight]pressão ocular[/highlight]

 

Além desses dados, o oftalmologista vai juntar essas informações com outros indícios provenientes de alguns [highlight]exames complementares,[/highlight] como a espessura da córnea, exame do ângulo de filtragem de líquidos da câmara anterior, campo visual, espessura da camada de fibras nervosas da retina e outros, formando um [highlight]cenário mais amplo e com mais fundamentos para um diagnóstico correto.[/highlight]

Com todos esses dados em mãos, ele vai primeiro verificar em qual categoria esse paciente se encontra (para entender as classificações, veja aqui). Como o nosso objetivo de hoje é entender apenas sobre os critérios para inclusão de um paciente como portador de glaucoma, os [highlight]critérios objetivos para essa doença[/highlight] são (lembrando que todas essas informações estão publicadas no diário oficial da União, no protocolo sobre glaucoma de 2013):

 

1) Pressão intraocular média, sem uso de colírios para glaucoma, [highlight]superior a 21 mmHg[/highlight]

Somado a um dos próximos dois critérios:

 

2) [highlight]Dano típico do nervo óptico,[/highlight] com escavação superior a 0,5, como essa aqui da foto:

glaucoma deixa cego sintomas

ou

3) [highlight]Campo visual[/highlight] compatível com dano glaucomatoso, como nesse campo visual abaixo:

campo visual

 

O meu objetivo com esse manual resumido sobre glaucoma não é falar de excessões, mas sim da regra. Existem argumentações fortes que dizem que o glaucoma pode existir mesmo com pressões inferiores a 21 mmHg. Além disso, nem sempre um nervo aparentemente alterado, mesmo com pressões elevadas, é um nervo glaucomatoso. Os casos devem ser individualizados e vale a máxima: [highlight]medicina não é uma ciência exata.[/highlight] Nem sempre 2 + 2 é igual a 4 na medicina. Portanto, todas as condutas devem ser avaliadas separadamente para cada paciente. Obviamente, [highlight]o risco de glaucoma, SEM SOMBRA DE DÚVIDAS, aumenta[/highlight] com o preenchimento desses critérios quando comparamos com um indivíduo que não os possua.

 

Tudo bem… mas vamos continuar… Vimos que o diagnóstico de [highlight]glaucoma inclui uma pressão ocular elevada junto com um sinal de dano do nervo óptico[/highlight] (ou dano estrutural, ou perda de função – alteração da escavação ou alteração do campo de visão). Certo, mas será que todos esses pacientes podem ser considerados juntos em um mesmo grupo?

 

Claro que não! Fica fácil entender que dois pacientes, com a mesma alteração do nervo óptico, mas um com pressão de 22 mmHg e o outro com pressão de 42 mmHg precisam de abordagens diferentes, correto? Sim, isso mesmo! Então, existem alguns [highlight]critérios maiores de gravidade e critérios menores,[/highlight] que guiarão o oftalmologista na escolha do melhor tratamento. Meu objetivo não é que ensinar ninguém a tratar o glaucoma, mas apenas entender o que é uma situação que está mais sob controle e o que é uma situação de mais difícil controle. Veja os nervos ópticos abaixo:

 

glaucoma evolução

O primeiro é um nervo normal, o segundo já apresenta uma escavação maior e o último uma escavação total. Obviamente a conduta para cada um desses pacientes será diferente, concorda? Então, conheça aqui embaixo alguns critérios de maior e de menor gravidade para um paciente com glaucoma.

 

Os critérios que apontam para uma [highlight]gravidade menor,[/highlight] são os seguintes:

– PIO de 21-26 mmHg na ausência de colírios para glaucoma;
– Alargamento da escavação do disco óptico entre 0,5-0,8;
– Alteração no campo visual compatível com glaucoma, mas sem comprometimento dos 10 graus centrais em nenhum dos
olhos.

 

Já os critérios que apontam para uma [highlight]maior gravidade[/highlight] do quadro são esses:

– PIO acima de 26 mmHg na ausência de colírios para glaucoma;
– Cegueira por dano glaucomatoso em um olho;
– Alargamento da escavação do disco óptico acima de 0,8;
– Comprometimento em 3 ou mais quadrantes ou dano nos 10 graus centrais em um dos olhos; e
– Progressão documentada do dano glaucomatoso em campimetria visual ou retinografia colorida a despeito do tratamento
hipotensor.

 

Tratamento do glaucoma

[blockquote]Os pacientes com quadro de glaucoma (com pressão intraocular maior que 21 mmHg, nervo óptico ou campo visual alterado) deverão iniciar acompanhamento mais próximo com oftalmologista e provavelmente precisarão de uso contínuo de colírios para baixar a pressão dos olhos e evitar os danos irreversíveis da doença.[/blockquote]

 

Esses pacientes serão divididos em 2 grandes grupos, a princípio: [highlight]os pacientes de maior risco para progressão e os pacientes de menor risco de progressão,[/highlight] de acordo com o número de critérios que possuam de menor ou de maior gravidade. Não nos importa, nesse momento, entender como é feito essa separação pelo oftalmologista, mas é importante entender que, quanto mais grave estiverem as condições daquele paciente, colírios de maior potência de controle deverão ser usados.

 

[blockquote]”Tudo bem, Raphael… Entendi o que é um caso de glaucoma e quando ele merece ser acompanhado… Entendi também que existem casos mais simples e casos mais complicados, e que o tratamento vai ser escolhido de acordo com o quadro do paciente… Mas como é essa história de colírio?”[/blockquote]

 

colírio para glaucoma

 

Muito bem! Esse será um capítulo à parte, que entrarei em detalhes mais pra frente. Mas já vou adiantando alguma coisa… Os colírios para glaucoma tem a [highlight]função de reduzir a pressão ocular e proteger o nervo da visão contra os danos causados pela doença.[/highlight] Alguns estudos provaram que a melhor maneira de evitar a progressão do glaucoma é manter a pressão intraocular reduzida. A simples queda da pressão já ajuda no controle da doença.

Mas veja que interessante: quanto maior a gravidade do quadro de glaucoma de um paciente, menor é a pressão final que desejamos para ele. Ao contrário, quanto menor a gravidade, uma queda menor de pressão já produz efeitos excelentes. Então, não podemos dizer que o nosso objetivo é sempre o mesmo ao tratar pacientes com glaucoma.

Pacientes com [highlight]quadros mais graves se beneficiarão com pressões oculares mais baixas[/highlight] (14, 13, 12, 11, 10 mmHg). Já pacientes com quadros mais brandos podem começar a ter benefícios com pressões alvo de 18, 16, 15 mmHg… Isso varia caso a caso. Portanto, a pressão alvo do tratamento vai ser individualizada de acordo com a gravidade das alterações de cada doente, mas de forma geral, uma [highlight]queda de 30%[/highlight] dos valores iniciais é o esperado.

Além disso, outros fatores também são levados em consideração: pacientes mais jovens devem ter um alvo pressórico mais baixo, pacientes com outras alterações ao exame oftalmológico que possam facilitar o avanço do glaucoma também merecem um controle mais rigoroso, pacientes que já perderam a visão em um olho e diversas outras situações. Por isso deve ser analisado caso a caso.

 

[blockquote] “Mas e tratamento com laser e cirurgias para o glaucoma? Como funciona isso?”[/blockquote]

 

cirurgia de glaucoma

 

De forma geral, o tratamento do glaucoma, de forma inicial, é feito [highlight]clinicamente, com uso de colírios.[/highlight] Em caso de resposta ruim (baixa queda de pressão, não atingindo a pressão alvo, ou progressão da doença mesmo em caso de tratamento), podemos fazer uso de algumas outras terapias que podem ajudar e muito no controle da doença. Em alguns casos, o laser pode ser benéfico (não é o mesmo laser da cirurgia de miopia… é um laser próprio para o glaucoma), e, em situações mais complexas, podemos realizar também procedimentos cirúrgicos, com objetivo também de [highlight]ajudar na redução da pressão ocular.[/highlight]

Mais pra frente vou escrever um pouco mais sobre essas outras formas de tratamento, não se preocupe.

 

O glaucoma não é nenhum bicho de sete cabeças. [highlight]Obviamente, como qualquer doença, exige controle e acompanhamento regular.[/highlight] Infelizmente, existem sim os casos que continuam a evoluir a despeito do tratamento instituído e do controle adequado. Na maior parte dos casos, recomendamos um controle não superior a [highlight]4 meses[/highlight]. Alguns pacientes com menor risco podem ser acompanhados mais espaçadamente.

O controle deve ser feito com a realização de uma avaliação oftalmológica rigorosa e, sempre que necessário, com realização de alguns exames complementares, como repetição seriada do campo visual, gonioscopia e alguns outros, com objetivo de acompanhar a [highlight]evolução do quadro.[/highlight] O tratamento e a conduta deve ser individualizada caso a caso, portanto, em caso de dúvidas sobre a sua condição, converse com seu oftalmologista!

 

Por hoje, chegamos ao final do nosso objetivo.

Nesses últimos 5 artigos, aprendemos um pouco melhor sobre o glaucoma: o que é o glaucoma, quais os tipos, quando devemos nos preocupa, quais os principais fatores de risco e como é realizado o acompanhamento e tratamento. Mais pra frente voltaremos a esse assunto, esmiuçando com um pouco mais de detalhes cada um dos tópicos que abordamos. Mas sinceramente acredito que agora as coisas devem ter ficado um pouco mais claras para vocês!

Abraços e até a próxima!

 

 

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